Erradicar a pobreza no Brasil custaria R$ 10 bi por mês, estima IBGE

Combater a pobreza no Brasil, condição que atinge quase 55 milhões de pessoas ou um quarto da população, necessitaria um investimento adicional de cerca de R$ 10,2 bilhões todo mês. Segundo a linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimento de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês), a proporção de pessoas pobres no Brasil era de 25,7% da população em 2016 e subiu para 26,5%, em 2017. Em números absolutos, esse contingente variou de 52,8 milhões para 54,8 milhões de pessoas, no período.

Segundo o IBGE, em sua mais recente pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2018, divulgada nesta quarta-feira, seria preciso, ao todo, R$ 10,2 bilhões para cada um desses brasileiros ultrapassarem a linha pobreza. Em média, esse investimento seria de R$ 187 mensais por pessoa. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira.

Para 2019, o orçamento do Bolsa Família, o principal programa federal de combate à pobreza, está estimado em R$ 30 bilhões. Se a erradicação da pobreza fosse feita por meio dele, isso significa que esse orçamento teria de ser cinco vezes maior, revela o Extra.

Segundo os pesquisadores, esses recursos poderiam vir por meio de programas de transferência de renda, mas também de forma indireta, por meio de geração de empregos, pois muitas dessas famílias podem ter sido atingidas pela perda de renda causada pelo desemprego, que chegou a atingir quase 14 milhões de pessoas durante a recessão.

— Um projeto de erradicação da pobreza depende de muitas decisões. Subsidiar o custo com moradia e alimentação, gerar empregos, tudo isso pode ser contemplado. Mas, se você quiser resolver esse problema amanhã, numa canetada, esse seria o montante adicional necessário a ser investido — disse Leonardo Queiroz Athias, analista da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

lém do grupo ter aumentado, ele ficou mais pobre no ano passado. Em 2016, segundo o IBGE, o esforço necessário para tirar esse grupo da pobreza seria um pouco menor, de R$ 9,95 bilhões mensais.

Segundo o instituto, esse montante trata-se de um cálculo aproximado, pois considera a alocação de recursos, sem custos operacionais e sem eventuais efeitos inflacionários desse investimento.

15 milhões estão abaixo da linha da pobreza

Dos 55 milhões de pessoas vivendo em condições de pobreza, 15 milhões estão em situação ainda pior: abaixo da linha de pobreza extrema. Ou seja, vivem com renda inferior a US$ 1,90 por dia (R$ 140 por mês), de acordo com o Banco Mundial. Em números absolutos, esse contingente aumentou de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas em 2017. O esforço econômico para tirar essa grupo da extrema pobreza é um pouco menor, de R$ 1,17 bilhões mensais.

28% da população sem acesso à educação

No Brasil, em 2017, ao menos 16% da população ou 33 milhões de pessoas eram atingidas pela pobreza dimensional, que mede a falta de acesso à educação, proteção social, moradia, serviços de saneamento básico e internet.

Segundo o IBGE, integra esse grupo os brasileiros que têm ao menos três restrições a esses direitos básicos que garantem maior cidadania.

Os dois maiores grupos são os do sem acesso a saneamento básico — 37% dos brasileiros não morava em lares que contavam, simultaneamente, com coleta de lixo, de esgoto e água encanada — e educação — 28,2% da população ou são crianças de 6 a 14 anos fora de escola ou pessoas com mais de 14 anos analfabetas ou acima de 15 anos sem o ensino fundamental completo.

05/12/2018

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